O Honda S2000 não é apenas um conversível; é uma carta de amor da Honda à engenharia mecânica e aos entusiastas de condução pura. Lançado para celebrar os 50 anos da marca, ele condensou décadas de experiência na Fórmula 1 em um chassi de tração traseira e um motor que grita até as 9.000 rpm.
O Início: O Presente de 50 Anos
Tudo começa no Salão de Tóquio de 1995 com o conceito SSM (Sport Study Model). A recepção foi tão sensacional que a Honda decidiu levá-lo à produção praticamente sem alterações no visual. Em 1999, o S2000 (código AP1) chegou ao mercado. O nome seguia a tradição dos roadsters clássicos da marca (S500, S600 e S800), que era o que representava a cilindrada do motor. Ele foi projetado por Shigeru Uehara, o mesmo intelecto por trás do NSX original e do Integra Type R.
Especificações Técnicas: Engenharia de Pista
Para entusiastas, o coração do S2000 é o que simplesmente importa. O motor F20C (AP1) ficou por muitos anos com o recorde de maior potência específica para um motor naturalmente aspirado no mundo: aproximadamente 120 cv por litro.
O Motor F20C (AP1)
Tipo: 4 cilindros em linha, 2.0L, DOHC VTEC.
Potência: 240 cv a 8.300 rpm (especificação americana/europeia).
Torque: 21,2 kgfm a 7.500 rpm.
Redline: 9.000 rpm.
Curiosidade: A velocidade média do pistão no F20C era maior do que em muitos carros de Fórmula 1 daquela época.
O Chassi “High X-Bone”
A Honda não queria que o S2000 tivesse a torção abtual em conversíveis. Por isso, inovaram, e criaram o chassi em formato de “X”, onde o túnel central serve como a espinha dorsal do S2000, equivalente a uma rigidez torsional de carros de teto rígido.
Distribuição de peso: Perfeita 50:50.
Câmbio: Manual de 6 marchas com engates super curtos e muito precisos (considerado até hoje um dos melhores já produzidos).
AP1 vs. AP2: O que mudou?
Em 2004, a Honda lançou a atualização AP2. As principais mudanças focaram em “domesticar a fera” o carro:
Motor F22C1: A cilindrada subiu para 2.2L. O torque aumentou, mas o redline caiu para 8.000 rpm.
Suspensão: A traseira do AP1 era famosa por ser arisca (o tão conhecido bump steer). No AP2, a suspensão foi recalibrada para ser mais suave e amigável no limite.
Visual: Introdução de rodas aro 17″ (substituindo as de 16″), modernizando os faróis para projetor e lanternas em LED.
Curiosidades que todo entusiasta deve saber
Painel de F1: O painel digital não foi uma escolha bonita aleatória; ele foi inspirado nos cockpits da McLaren-Honda de Fórmula 1 do final dos anos 80 e início dos 90.
O Botão de Start: Hoje é simplesmente comum, mas em 1999, ter um botão de partida, era uma excentricidade absoluta e só reforçava mais ainda a aura de “carro de corrida para a rua”.
S2000 CR: A versão Club Racer (apenas para o mercado americano) removiam o rádio, ar-condicionado e a capota elétrica em favor de rigidez estrutural e aerodinâmica para pista, o tornando mais seguro e mais sensacional.
VTEC Point: No AP1, o VTEC “entra” por volta das 6.000 rpm. Dirigir um S2000 é, essencialmente, comandar o carro para que ele nunca saia dessa zona de potência.
Conclusão
O Honda S2000 é o fim de uma era. É um carro analógico, sem controles de tração invasivos (nos primeiros anos) e que exige um motorista habilidoso. Em um mundo de motores turbo e transmissões automáticas, o S2000 continua como o padrão ouro de como um roadster deve ser.
E Vocês, prefererem o grito das 9.000 rpm do AP1 ou o torque extra do AP2?” Comente o que vocês acham.
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